terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ubirajara , de José de Alencar

Ubirajara é um livro importante no conjunto das obras indianistas de José de Alencar e fundamental no conjunto, completando sua intenção de fazer uma obra panorâmica, que mapeasse o país tanto geográfica quanto cronologicamente. Assim, a história do "senhor da lança" mostra uma terra selvagem, com sua pureza ainda não profanada pela presença do branco invasor. É um Brasil pré-cabralino, ao passo que O Guarani e lracema já revelam o contato com a cultura branca européia (D. Antônio, Ceci, Martim) e suas conseqüências. Os primeiros cronistas, entre eles Pero Vaz de Caminha, mostram preconceituosamente um índio sem fé, nem lei, como se não tivesse cultura, somente porque não possui a a cultura cristã européia. Essa desvalorização da cultura do habitante primitivo desta nossa terra é questionada por Alencar no prólogo intitulado Advertência
Ação:
Predomina a ação externa, revelando domínio seguro da efabulação, apesar da estrutura simples da obra. O tom épico faz-se presente nos feitos guerreiros, nas caçadas, mas o lírico aparece sempre, tanto na linguagem poética, quanto nos diálogos e nos cantos de amor. A conversa entre Ubirajara e Araci logo depois do combate nupcial é de grande beleza e o canto de tristeza de Jandira quando desprezada é de comovente sentimentalismo.

O romance é dividido em nove capítulos, organizados de modo linear, apresentando tempo cronológico, com a ação se desenvolvendo na selva brasileira, em período anterior ao descobrimento, na região do rio Tocantins. Os títulos dos capítulos indicam o conteúdo básico da fábula.
Espaço:
A narrativa apresenta a natureza selvagem como espaço privilegiado, com a maior parte das ações desenvolvendo-se na região interior e selvagem de um Brasil primitivo e edênico. A natureza é o único componente espacial deste pequeno romance. Selvagem, hostil ou acolhedora, ela representa o espaço ainda inalcançado pelo homem branco, por se tratar de romance  pré-cabralino. Há, ainda, o espaço das aldeias, povoado por criaturas selvagens, porém cheia de princípios éticos.
Tempo:
O tempo cronológico, remonta a ação ao século XV, o que pode ser determinado pela ausência do homem branco. O romance organiza-se, em seus nove capítulos, de forma linear, cronológica, em tempo anterior a 1500, na região do Tocantins.
Personagens:

Ubirajara, personagem protagonista, é o herói do livro. Aparece nos capítulos iniciais com o nome de Jaguarê, guerreiro da tribo dos araguaias, antes de se tornar "o senhor da lança", Ubirajara e chefe de sua tribo em substituição ao pai, depois de ter vencido Pojucan.Quando vai servir Itaquê para obtr como esposa Araci, o nome adotado por ele entre os tocantins é Jurandir.

Jandira, virgem araguaia, filha de Majé, prometida de Jaguarê, mas por ele desprezada quando se torna guerreiro. A noiva desprezada tenta matar a rival, mas é surpreendida por Ubirajara que a entrega como escrava a Araci. Esta, afinal, entrega-a ao guerreiro como segunda esposa, considerando isso justo já que ele uniu os arcos das duas nações. Inicialmente, Jandira era da opinião de que não se deve dividir o marido, mas no final da narrativa aceita a proposta de Araci, dividindo com ela o amor de Ubirajara.

Araci, a estrela do dia, virgem filha do chefe tocantim, Itaquê, conquistada por Ubirajara, que é obrigado a lutar, e vencer todos os outros pretendentes. Araci aceita dividir o esposo com outras, conforme tradição de seu povo.
Jaguarê :  caçador da nação araguaia procura um inimigo terrível para vencê-lo em combate de morte.

Pajucã, cujo nome significa “eu mato gente”, é guerreiro tocantim, filho de Itaquê, irmão de Araci. Guerreiro forte e invencível até conhecer Ubirajara, de quem se torna prisioneiro.

Itaquê, pai de Araci e Pojucã, velho chefe dos tocantins.

Jacamim, mulher de Itaquê, mulher que não exige exclusividade no amor, conforme a tradição de seu povo. Assim, como em outros povos, é ela quem planta, como também as outras mulheres casadas, pois, segundo suas crenças, a mulher transmite à terra sua própria fertilidade, possibilitando melhores colheitas do que se as sementes fossem plantadas pelos homens ou pelas virgens.

Camacã, pai de Ubirajara.

Canicran, terrível chefe dos tapuias, vencido por ltaquê, que rompe sua cabeça em dois pedaços como se fosse um coco.

Pahã, cujo nome significa “a seta”, é o filho mais moço do chefe tapuia, Canicran. Importante para o relato, pois é ele quem cega com duas flechadas o velho chefe Itaquê. A sua função na estruturação da trama é fácil de ser percebida, deixar a nação tocantim sem o líder para que Ubirajara possa assumir o posto e unir as nações araguaia e tocantim, objetivo fundamental do romance.
Trama:
A estrutura do romance apresenta mais importância aos fatos do que explorar os dramas das personagens, sendo um romance linear.
Verossimilhança:
A obra apresenta características que se aproximam do real .
Ponto de vista :
O narrador foca no personagem principal e conta somente o que vê , o que observa . É narrado na 3° pessoa .
Estilo de romance :
Indianista , terminado com a união das tribos, e monofônico, focado no desenvolvimento da história de Jaguarê .

4 comentários:

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  2. Ubirajara nos prova que sim, o Brasil pode ter histórias épicas a altura das medievais europeias. Muito boa a análise!

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  3. Nunca li o livro, mas parece que vale à pena! Análise muito boa, Thiago!

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  4. Ter um índio como protagonista de um livro foi uma ótima ideia do autor, pois revelou grande parte da história do Brasil. Boa análise, parabéns.

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